Definir a Arte é uma pretensão, que está aquém do poder e da capacidade da linguagem escrita e falada. O processo de criação artística reúne em si e suprime um conjunto de fatores históricos e culturais constituídos antes de tudo pela inspiração primária incentivada através da relação do homem com a natureza, proporcionados pela experimentação do mundo através dos sentidos e emoção, ativando o olhar com a beleza estética de sua riqueza e diversidade de detalhes, o olfato com toda a sorte de cheiros estimulando a capacidade imaginativa do seres por seu caráter abstrato, o tato excitado pela concretude das formas, o paladar instigado pelos diferentes sabores provenientes do suprimento da necessidade biológica de alimentar-se e a audição incitada por uma orquestra de barulhos naturais, o primeiro contato com arte e toda sua fonte inspiradora posterior que parte e inicia-se através da admiração e conhecimento da obra-prima máxima e magna que é a Natureza. Do conhecimento sensorial partem todos os outros conhecimentos, originados pelas convenções humanas que conceitualizam, significam, simbolizam e interpretam todos os elementos e informações manifestadas, expressadas e dinamizadas pela Natureza. Institucionalizam a consciência, enquadram a sensibilidade, definem regras e produzem cultura, onde buscam racionalizar e entender de maneira pragmática a essência das coisas. As criações humanas partem a priori da busca de suprir as necessidades básicas e utilitárias da existência. Descoberta sua capacidade criativa o Homem começa a transformar a Natureza e a ressignificá-la distorcendo o movimento dialético do processo criativo sobrepondo seu poder de criação em detrimento ao da Natureza. A história da Arte expressa e resume a tentativa e a expectativa totalizante que o Homem tem de explicar a sua existência, a sua relação com o mundo e o próprio mundo, constrói, desconstrói, abstrai, sonha, ajuíza, transforma, interpreta, enfim cada manifestação artística em qualquer momento histórico condensa toda a experiência, todo o conhecimento e todo o movimento de mergulhar e emergir no entendimento de sua essência e do sentido do seu próprio entendimento. Por fim a geografia e arte se confundem na medida que intentam conscientizar, sensibilizam, ressignificar e expressar de forma única e autêntica a criação.
Kelly Cristina de Assis
Nenhum comentário:
Postar um comentário